Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

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Paulo ITT
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Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por Paulo ITT » 09 Jan 2013, 22:04

. Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal .

1882: início da construção – fechamento da linha: 1964.
E. F. Bananal (1918) - E. F. C. B. (1918-1931 -) E. F. Oeste de Minas (1931) - E. F. C. B. (1931-1964)

Estações:
RJ: Saudade (1883), Harmonia, Santo Antônio, Cafundó, Ástrea, Rialto (1883).
SP: Glória, Três Barras (1888), Bananal (1889).

http://www.estacoesferroviarias.com.br/ ... spaulo.htm
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Possível Traçado:

Em verde escuro: Ramal de São Paulo.
Em verde médio: E F do Bananal
Em verde claro: linha tronco da RMV saindo de Angra dos Reis


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Saudade

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Bananal

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http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=102600

Ferrovias do Vale: o tempo em que Bananal foi a capital da região[/ b]
Uma família era dona de quase todas as terras da cidade e de 1% do dinheiro que circulava no país

Renato Ferezim, especial para o VNews

Em cada período de desenvolvimento o Vale do Paraíba teve uma cidade à frente. Já assumiram o posto de 'capital do vale' as cidades de Lorena - nos primórdios da ocupação, Guaratinguetá - após a abertura do novo caminho entre Rio e São Paulo, Taubaté - no início da industrialização, e no período recente, São José dos Campos, no desenvolvimento do vale tecnológico.
Bananal assumiu esse posto na segunda metade do século 19, no período forte do café do Vale do Paraíba. Hoje Bananal tem 10 mil habitantes, se transformou em local de turismo histórico. Duas construções chamam a atenção na cidade: a estação ferroviária e o Solar, antiga residência da família Aguiar Valim.

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Na década de 1860, Manoel de Aguiar Valim era proprietário de pelo menos 80% das terras de Bananal. Herdou boa parte da fortuna do Comendador Luciano José de Almeida, ao casar com a filha dele, Domiciana Maria de Almeida. Mandou construir a residência, onde trabalhavam 40 escravos. Valim era o homem mais poderoso da cidade, sua fortuna foi construída sobre o café, sustentada pela mão de obra escrava. Manoel era titular de uma fortuna correspondente a 1% de todo o papel moeda circulante no Brasil.

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Para se ter uma idéia da riqueza dos Valim, estes contrataram o pintor espanhol José Maria Villaronga para decorar a residência e as fazendas da família. A principal fazenda produtora era a Resgate.
Até então toda a produção era levada até Barra Mansa por animais. Lá seguia também por animais ou pelos trilhos da Central do Brasil. Esse transporte estava ficando caro e arriscado porque o número de assaltos no trecho aumentava a cada dia. Em 1870 Valim decidiu que era hora de implantar uma ferrovia para fazer tal trabalho. Nasceu o projeto da Estrada de Ferro Bananal. Manoel Valim (retrato abaixo) faleceu em 1878, quando a construção ainda nem havia começado. Quatro anos depois os primeiros trilhos já eram assentados em Saudade, hoje Barra Mansa (RJ).

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Estação belga
"A estação foi importada da Bélgica. Toda a estrutura de metal e as chapas vieram de navio e eram desmontáveis para que ele pudesse trocá-la de lugar se necessário", diz Reinaldo Afonso, representante da Associação Bananalense de Turismo. A estrutura, toda em ferro fundido, foi fabricada pela empresa Forges, na cidade de Aiseau, na Bélgica.

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A construção

A construção da Estrada de Ferro Bananal, que tinha apenas 11 quilômetros, foi demorada e aconteceu em uma época de turbulência para a sociedade bananalense.
O primeiro revés foi com a abolição da escravatura, em maio de 1888. Toda a mão de obra empregada nos cafezais da cidade era escrava. "No dia seguinte da publicação da Lei Áurea os escravos já estavam fugindo daqui. Os registros históricos mostram que nenhum ficou", explica Reinaldo Afonso.
A produção do café e a construção da ferrovia continuaram, com nova mão de obra, até a véspera do natal de 1888, quando foi assentado o último trilho. A inauguração ocorreu em 1º de janeiro de 1889, ano da Proclamação da República.
A Proclamação foi o segundo revés. Uma mudança política que afetaria Bananal de maneira negativa. O prédio da estação foi inaugurado no dia 3 de janeiro de 1889, quando o mercado do café já apresentava instabilidade para a cidade.

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Como a EF Bananal não chegou a atender a produção de café do município em sua plenitude, o caminho de ferro acabou se tornando um grande 'trambolho' para uma cidade que não podia sustentá-lo. Houve sim disputas políticas que fizeram a construção se arrastar. Segundo o historiador Reinaldo Afonso, pouco tempo antes da inauguração da ferrovia um engenheiro foi morto em uma emboscada de um grupo político rival.

Venda do patrimônio

Com a fortuna da família em queda bruta, em 1891, a viúva, Dona Domiciana e o herdeiro José Aguiar Valim não viram outra saída senão vende-la para Domingos Moitinho, português com enorme fortuna que comprou também as fazendas da família.
Mas a região noroeste de São Paulo evoluía no café a passos largos. Isso fez com que Moitinho também enfrentasse problemas financeiros e hipotecasse fazendas, a estação e a ferrovia. A hipoteca só foi paga em 1914 pelo filho de Moitinho, mas não havia mais como manter toda a estrutura em funcionamento.
A ferrovia transportava a população de Bananal para Barra Mansa e a produção do laticínio Lusitano, única indústria da cidade.

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Em 1919 a ferrovia e a estação passaram a integrar o patrimônio do Governo Federal e o palacete Solar dos Valim foi entregue ao governo do Estado, que o transformou em uma escola. O detalhe: o governo nunca indenizou a família de Moitinho por ter encampado a ferrovia.

Adeus ao trem

O final da EF Bananal foi melancólico. Transportando a pequena produção de leite do município e algumas dezenas de passageiros, o trem dava prejuízo.

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A ferrovia funcionou com pelo menos 2 partidas diárias até 1963 e foi desativada em 1º de junho de 1964. Após esse período a estação foi fechada e os trilhos retirados. A estação ainda serviu por um tempo como ferroviária, mas já no início do século 21 foi completamente fechada e envolvida em uma disputa judicial entre Prefeitura e Correios. Atualmente o prédio pertence aos Correios
"Nós fizemos de tudo para tentar manter a ferrovia em operação. Fomos até Brasília, mas não deu. O presidente Jânio Quadros decidiu, em 1961, desativar todos os trens de passageiros e o de Bananal parou de circular em 1963 porque dava prejuízo", conta Plínio Graça, prefeito de Bananal na época.
Na frente da estação está uma locomotiva colocada como monumento. Vale destacar que esta locomotiva nunca rodou na Estrada de Ferro Bananal. Ela foi fabricada em 1940 e rodou na Ferrovia Tereza Cristina (Estado de Santa Catarina). Foi enviada à cidade pela Rede Ferroviária Federal em 1990. A locomotiva original está em exposição no Museu Imperial, na cidade de Petrópolis (RJ).

Bananal e o tempo
A cidade de Bananal talvez seja a que sofreu mais impactos com o desenvolvimento da região, e estes impactos ocorreram em uma velocidade incrível
Primeiro, com o café, concentrou boa parte da riqueza do país e tornou-se ponto de referência. Com o fim do império do café a cidade passou por um esvaziamento e viu a primeira 'parada no tempo' do desenvolvimento
"A ferrovia foi importante para Bananal porque houve um surto de progresso. Coisas que não tinham em Bananal chegavam através do trem, como produtos agrícolas e de construção. Só que o surto foi momentâneo", diz Reinaldo Afonso.
Já no século 20 a cidade foi cortada pela rodovia Rio - São Paulo e tornou-se passagem obrigatória para os primeiros veículos do país. Com a construção da via Dutra, na década de 1950, ocorreu a nova queda da cidade. "Quando inauguraram a Dutra, no dia seguinte não passava mais ninguém aqui", disse Plínio Graça.

http://www.youtube.com/watch?v=f0hA_pv8 ... r_embedded
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http://cadernosdointerior.blogspot.com. ... nanal.html
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http://vfco.brazilia.jor.br/estacoes-fe ... anal.shtml

G1 - Guia Geral das Estradas de Ferro – 1960

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http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/e ... anal.shtml

Estrada de Ferro Bananal

A estação ferroviária de Bananal
Fotos: Cláudio Larangeira — Texto: Cláudio Larangeira e FRC
Centro-OesteDC-9-10 — 31-jan-1991
O desenvolvimento da cafeicultura no estado de São Paulo, a par com a construção de ferrovias, povoamento e surgimento de dezenas de cidades, frequentemente nos faz esquecer que a primeira "idade de ouro" do café ocorreu algumas décadas mais cedo, partindo do estado do Rio de Janeiro. Subindo a serra, encontrou terreno aparentemente propício no vale do Paraíba do Sul, de clima mais ameno que a baixada, e rapidamente foi alastrando-se em direção a São Paulo.
Foi o período mais "feudal" da cafeicultura, utilizando mão-de-obra escravizada e, em grande parte, o transporte animal. Foi a época dos "barões do café", no final da monarquia, que deixou muitas histórias de dissipação de riquezas, abusos, arrogância etc. Não que as fases posteriores não tenham tido sua dose disso tudo, mas esta primeira fase áurea parece ter deixado um folclore mais denso.
E foi um período relativamente fugaz. Filas de cafeeiros logo subiram pelas encostas dos morros do vale do Paraíba — desmatadas sem hesitação — e o sol e as chuvas se encarregaram de devastar a fertilidade do solo. O café entrou em decadência na região, à medida em que migrava para outras áreas, em Minas Gerais e São Paulo. O livro "Cidades Mortas", de Monteiro Lobato, descreve a decadência no vale do Paraíba. Os livros "Café e Ferrovias" e "As Ferrovias de São Paulo" mostram bem o que foi este movimento do café, a par com o desenvolvimento ferroviário dessas regiões.

Estrada de Ferro Bananal

A região entre Bananal (SP) e Barra Mansa (RJ) era uma das mais ricas, por volta de 1850, na primeira fase áurea do café. Para enviar café e outros produtos para a Corte (a cidade do Rio de Janeiro), o único caminho partia de Barra Mansa e as mercadorias deviam descer em lombo de burro.
Em 1870, os fazendeiros da região decidiram construir uma ferrovia entre Bananal e Barra Mansa, "puxada por animais ou locomotivas", segundo o requerimento mandado a São Paulo. O primeiro nome dado à ferrovia era Estrada de Ferro Ramal Bananalense, ainda na fase de projeto.
A primeira composição rodou em 1883, com a locomotiva Boa Vista puxando 2 carros lotados de pessoas de Barra Mansa a Três Barras, onde terminava o primeiro trecho construído até então. Nesta mesma época, foi comprada na Bélgica uma estação pré-fabricada, para ser montada em Bananal.
A estação era toda metálica — inclusive o telhado —, feita de chapas galvanizadas almofadadas, e seu assoalho era de autêntico pinho de Riga. Era composta de aproximadamente 2 mil placas ajustadas por parafusos e media cerca de 400 m2
Em 1918, a União encampou o ramal, passando-o para a Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). Em 1931, o ramal foi repassado à Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), onde permaneceu incorporado até a desativação do trecho, em 1964.
A estação permaneceu abandonada durante bastante tempo. Foi tombada pelo Condephaat em 1969 mas, até 1974, nada foi feito. Então, começou a mobilização dos moradores e fazendeiros de Bananal, para preservá-la. Uns queriam transformá-la em escola, outros em estação rodoviária, e outros em biblioteca.
Em 1983, a estação de Bananal foi declarada de utilidade pública pelo prefeito, que pediu uma vistoria do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT, SP), com vistas à restauração. Os técnicos concluíram que o metal usado pelos belgas era de ótima qualidade pois — apesar do abandono — quase 100 anos após a construção, poucas chapas teriam de ser substituídas.
As cores ocre e vinho, bem como o estilo da construção, tornam a estação de Bananal uma raridade no gênero, em todo o mundo.

Cronologia e dados

Segundo Nascimento Brito, em "Meio século de estradas de Ferro", a primeira concessão foi dada a dois engenheiros em 1871 e perdeu valor por nada ter sido feito. Em 1880, José Leite de Figueiredo obteve outra concessão e organizou a Cia. Ramal Bananalense, autorizada a funcionar em 1882. Partindo da estação de Saudade, na Estrada de Ferro D. Pedro II (Estrada de Ferro Central do Brasil), a empresa inaugurou os primeiros 12 km em 1883, até Rialto. Ao todo, atingiu 28,5 km, na bitola de 1,0 m, raio mínimo de 100 m e declive até 2,5%.
O levantamento de 1906, do Centro Industrial do Brasil, indica que a obra começou em 1882 e a linha foi aberta ao tráfego em 1889, com 28 km, raio mínimo de 96 m e declive máximo de 3%. No ano do levantamento já era uma ferrovia decadente, com receita de 27:683$300 réis (27,7 contos de réis) e despesa de custeio de 54,7 contos (milhões) de réis. Encerrou 1906, portanto, com déficit de cerca de 27 contos de réis. Os produtos de exportação da região atravessada, em 1906, eram o café, milho, queijos, aves e aguardente.
Um quadro triste, para uma região cuja ferrovia — e até os fazendeiros — chegaram a cunhar suas próprias moedas, para complementar o meio circulante e facilitar os negócios.

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http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias-h ... anal.shtml
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Blogs de jornalismo, fotos e turismo

http://blog.fcn.edu.br/jornalismo/bananal-3/

http://media.fcn.edu.br/media/estacao-de-bananal

http://bananal.net.br/index.php

http://www.caminhosdacorte.com.br/bananal.html

http://bananal.sp.gov.br/turismo/

http://www.turismovaledocafe.com/2011_0 ... chive.html

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Tombamento da estação de Bananal

http://www.cultura.sp.gov.br/portal/sit ... 01a8c0____

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Re: Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por admin » 12 Jan 2013, 22:20

Parabéns pela magnífica viagem no tempo que nos proporcionou, Paulo !
app
Só tive uma dúvida: no texto diz que a estação ainda foi ferroviária por um tempo após a desativação da ferrovia ... como assim ?
No mais, show de bola ! Excelente trabalho de investigação, pesquisa e dedicação !
:Y:

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brunno
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Re: Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por brunno » 09 Mai 2013, 12:10

Admim
Significa que ainda era possível despachar encomendas e receber por ela. Funcionava como uma Agência da RFFSA.
O Brasil tem que voltar aos trilhos e só assim marcharemos rumo a um futuro digno.

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Re: Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por DadoDJ » 09 Mai 2013, 14:49

Bem, o Admin foi desativado, agora é tudo comigo mesmo !
Brunno, mas a estação funcionava mesmo depois da desativação da ferrovia. Sendo assim funcionava como agência da RFFSA, mas as encomendas eram despachadas como ? Não era pelos trilhos, certo ?
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Re: Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por brunno » 22 Mai 2013, 01:02

Provavelmente iam de caminhão entre Barra Mansa. Antes, muitas estações eram do DCT e da RFFSA.
O Brasil tem que voltar aos trilhos e só assim marcharemos rumo a um futuro digno.

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Re: Breve Histórico da Estrada de Ferro do Bananal

Mensagem por DadoDJ » 15 Mai 2014, 14:31

Fotos da estação de Bananal-SP, pertencentes ao albúm de família de
Maria Bernadete Fonseca Avelar, e publicadas no grupo Bananal em Fotos
no Facebook.

Cessão: Marco Giffoni
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